É certamente na última metade do século XIX e o primeiro quartel do século XX que o relógio de sol portátil sofre uma brusca queda no seu uso, sendo substituído cada vez mais pelo relógio mecânico de bolso e depois de uma forma mais rápida pelo chamado relógio de pulso.
É em virtude dos cada vez mais baixos preços destes novos medidores do tempo que torna estes acessíveis à quase totalidade da população.
De entre estes “últimos” relógios de sol portáteis incluímos um do tipo Horizontal constituído por dois blocos de madeira ligados por uma espécie de dobradiça e que ainda incluía uma pequena bússola para uma orientação mais
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fácil na procura do meridiano do lugar, necessário para uma boa determinação das horas.
Era o tempo das horas e das meias-horas. O tempo dava para tudo. Hoje o tempo é dos minutos e dos segundos e vendo bem não dá para quase nada.
Um desses “últimos” relógios de sol produzidos em Portugal tem na sua face superior (quando fechado) o nome do seu construtor JOÃO DA SILVA.
Nota: E para que não haja dúvidas está lá bem escrito VERDADEIRO AUTOR

Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista



Tudo indica que os primitivos humanos tenham usado a sombra de uma árvore, de uma rocha ou de uma vara para em função do comprimento da sombra destas terem uma ideia do início dos períodos do ano importantes para a sua própria vida ou do seu grupo.
Foram as Civilizações emergentes, chamadas “Dos Grandes Rios”, tais como o Nilo, Tigre e Eufrates, Indo, Yangtze e Huang He, que tendo sociedades cada vez mais complexas utilizaram essa variação da sombra (diária e anual) para coordenar melhor a sua organização durante o dia ou em períodos bem maiores como aqueles a que hoje chamamos estações do ano.
Uma das civilizações da qual mais informações temos é a Civilização Egípcia. A variedade de artefactosque, de diversas épocas, chegaram até nós indicam a importância que esses períodos temporais, a que podemos chamar horas, tinham para esse povo.
A esses artefactos que podemos designar por Relógios de Sol, de construção mais ou menos empírica, já existiam no Egipto bem antes do século XVI A.C.
É contudo no 3º século A.C. que um sacerdote de origem Caldaica a viver no Egipto cria um relógio de sol de características inovadoras.
Num bloco de pedra constrói uma cavidade semi-esférica (a imagem invertida da abóbada celeste) em que na parte central coloca um “gnómon” vertical cujo extremo produz uma sombra que se desloca por essa cavidade de acordo com o movimento diurno aparente do disco solar.
É o início de uma nova Era para o Relógio de Sol cuja difusão, em especial na Bacia Mediterrânica, se torna imparável.

Imagens de Relógios de Sol do Antigo Egipto
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Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista


Já lá vai o tempo em que o nascer e o pôr-do-sol determinava a vida do Homem. As noites com todos os seus mistérios, medos e seus perigos eram destinadas ao repouso do corpo e, por certo, à agradável tarefa de aumentar o agregado familiar, fundamental nessas épocas recuadas em que o desenvolvimento se fazia ao calmo ritmo dos dias e dos anos. A evolução contudo não para e é o Relógio de Sol que define cada vez com mais precisão as tarefas do Homem na sua vida social, política, laboral e económica mas com isso o “Relógio Biológico” não sofre praticamente qualquer impacto negativo.
O Tempo e os Horários do quotidiano ainda não eram, nesses tempos recuados, os fortes Ditadores em que se tornaram nos Tempos Modernos.
O Homem na sua cega actividade de um progresso rápido e desordenado não para de provocar o Destino.
As por vezes significativas alterações horárias (quase sempre ligadas às actividades laborais), levarão certamente ao colapso do “Relógio Biológico” pondo em causa a sobrevivência da Espécie Humana.
Segundo se pensa, foi um gigantesco asteroide que esteve na origem do desaparecimento dos dinossauros que viveram neste planeta Terra por milhões de anos. Não é um asteroide mas sim uma certa e repetida incúria do Homem que põe em risco esta Espécie que Nós somos.
A alteração das horas sem acautelar o chamado Relógio Biológico é mais um prego na Caixa Final onde o Homem voluntariamente se mete.
Que inveja eu tenho dos tempos do Relógio de Sol

Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista


De entre todas as formas sob as quais se apresentam os relógios de sol há uma que pelo seu aspecto inesperado e até de certo modo bizarro chama a atenção de quem o vê ou sabe da sua existência.
É em meados do ano de 1755, durante uma prospecção arqueológica em Itália mais propriamente em Portici (hoje englobada na grande metrópole que é a cidade de Nápoles), que é encontrado um relógio de sol, construído em bronze, que data do primeiro quartel do século I da nossa Era.
Até aqui nada de extraordinário não fosse o aspecto que apresenta, a muito bem elaborada forma de um presunto e ainda com a extraordinária e a não menos usual presença da cauda (rabo) do porco que lhe irá servir de Gnomon ou Estilete. É, pois sem surpresa que este estranho relógio de sol seja designado por Jambon de Portici.
As horas nele assinaladas são as “Horas Iniguais” em uso na época.
É de notar que o plano do relógio é vertical e a face virada ao sol é a lateral mais perto do Gnomon.
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Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista

(Fico sempre surpreendido pela ou pelas mais variadas informações que um R.S. contêm)