Já lá vai o tempo em que o nascer e o pôr-do-sol determinava a vida do Homem. As noites com todos os seus mistérios, medos e seus perigos eram destinadas ao repouso do corpo e, por certo, à agradável tarefa de aumentar o agregado familiar, fundamental nessas épocas recuadas em que o desenvolvimento se fazia ao calmo ritmo dos dias e dos anos. A evolução contudo não para e é o Relógio de Sol que define cada vez com mais precisão as tarefas do Homem na sua vida social, política, laboral e económica mas com isso o “Relógio Biológico” não sofre praticamente qualquer impacto negativo.
O Tempo e os Horários do quotidiano ainda não eram, nesses tempos recuados, os fortes Ditadores em que se tornaram nos Tempos Modernos.
O Homem na sua cega actividade de um progresso rápido e desordenado não para de provocar o Destino.
As por vezes significativas alterações horárias (quase sempre ligadas às actividades laborais), levarão certamente ao colapso do “Relógio Biológico” pondo em causa a sobrevivência da Espécie Humana.
Segundo se pensa, foi um gigantesco asteroide que esteve na origem do desaparecimento dos dinossauros que viveram neste planeta Terra por milhões de anos. Não é um asteroide mas sim uma certa e repetida incúria do Homem que põe em risco esta Espécie que Nós somos.
A alteração das horas sem acautelar o chamado Relógio Biológico é mais um prego na Caixa Final onde o Homem voluntariamente se mete.
Que inveja eu tenho dos tempos do Relógio de Sol

Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista


De entre todas as formas sob as quais se apresentam os relógios de sol há uma que pelo seu aspecto inesperado e até de certo modo bizarro chama a atenção de quem o vê ou sabe da sua existência.
É em meados do ano de 1755, durante uma prospecção arqueológica em Itália mais propriamente em Portici (hoje englobada na grande metrópole que é a cidade de Nápoles), que é encontrado um relógio de sol, construído em bronze, que data do primeiro quartel do século I da nossa Era.
Até aqui nada de extraordinário não fosse o aspecto que apresenta, a muito bem elaborada forma de um presunto e ainda com a extraordinária e a não menos usual presença da cauda (rabo) do porco que lhe irá servir de Gnomon ou Estilete. É, pois sem surpresa que este estranho relógio de sol seja designado por Jambon de Portici.
As horas nele assinaladas são as “Horas Iniguais” em uso na época.
É de notar que o plano do relógio é vertical e a face virada ao sol é a lateral mais perto do Gnomon.
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Pedro Gomes de Almeida
Astrónomo Amador e Gnomonista

(Fico sempre surpreendido pela ou pelas mais variadas informações que um R.S. contêm)